
“I – Fundamentos da Revelação Espírita …
12. O Espiritismo, fazendo-nos conhecer o mundo invisível que nos cerca, no meio do qual vivíamos sem disso suspeitar, assim como as leis que o regem, suas relações com o mundo visível, a natureza e estado dos seres que o habitam e, por conseguinte, o destino do homem depois da morte, é uma verdadeira revelação na acepção científica da palavra.
13. A revelação espírita, por sua natureza, apresenta duas características: é ao mesmo tempo revelação divina e revelação científica. Inclui-se na primeira porque seu aparecimento foi providencial e não o resultado da iniciativa de um desejo premeditado do homem; porque os pontos fundamentais da Doutrina tem sua origem no ensino dado pelos Espíritos encarregados por Deus de esclarecer os homens acerca das coisas que ignoravam, que não podiam aprender por si mesmos, e que deveriam conhecer agora que estão aptos a compreendê-las. Inclui-se na segunda, porque esse ensino não é privilégio de indivíduo algum, mas é dado a todos da mesma maneira; porque os que o transmitem e os que o recebem não são, de maneira alguma, seres passivos, dispensados do trabalho de observação e pesquisa; porque não renunciam ao seu raciocínio e ao seu livre-arbítrio; porque a verificação não lhes é impedida, mas, ao contrário, recomendada; enfim, porque a Doutrina não foi ditada completa, nem imposta à crença cega; porque ela é deduzida, pelo trabalho dos homens, a partir da observação dos fatos que os espíritos colocam sob seus olhos, e das instruções que dão a eles, instruções que os homens estudam, comentam, comparam e das quais tiram suas próprias conclusões e aplicações. Numa palavra, o que caracteriza a revelação espírita é que sua origem é divina, que a iniciativa pertence aos Espíritos e que a elaboração é o fruto do trabalho do homem.
14. O Espiritismo, como meio de elaboração, procede exatamente da mesma maneira que as ciências positivas, quer dizer, aplica o método experimental. Apresentam-se fatos novos que não podem ser explicados pelas leis conhecidas; o Espiritismo as observa, compara, analisa e, remontando dos efeitos às causas, chega à lei que os rege, após o que, deduz suas conseqüências e busca as suas aplicações úteis. O Espiritismo não estabeleceu nenhuma teoria preconcebida; ou seja, não apresentou como hipóteses nem a existência e a intervenção dos Espíritos, nem o perispírito, nem a reencarnação, nem qualquer dos princípios da Doutrina. Concluiu pela existência dos espíritos, quando essa existência resultou evidente da observação dos fatos, e assim em relação aos outros princípios. Não foram os fatos que vieram mais tarde confirmar a teoria, mas a teoria que veio, subsequentemente, explicar e resumir os fatos. Portanto é rigorosamente exato dizer que o Espiritismo é uma ciência de observação e não o produto da imaginação. … “
Estaremos em futuras publicações dividindo com vocês alguns trechos selecionados, como este acima, das obras de Kardec. Estamos aqui colocando alguns parágrafos do primeiro capítulo de A Gênese.
Trecho de:
Allan Kardec, A GÊNESE. Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo, 4a ed. 1868, Tradução de Alberttina Escudeiro Seco, 1a edição, julho de 2008, León Denis Gráfica e Editora.
Estamos usando esta tradução de 2.008, por ser bastante atual e possivelmente a mais recente, profusamente recheada de Notas de Rodapé com informações adicionais e anexos trazendo em paralelo recentes posicionamentos científicos e mesmo fotos da NASA.
