
“… Há no homem 3 coisas essenciais:
- a alma ou Espírito, princípio inteligente no qual residem o pensamento, a vontade e o senso moral;
- o corpo, envoltório material, pesado e grosseiro, que põe o Espírito em relação com o mundo exterior;
- o perispírito, envoltório fluídico, extremamente sutil, servindo de laço e intermediário entre o Espírito e o corpo.
… A morte, portanto, não passa da destruição do invólucro grosseiro do Espírito. Só o corpo morre, o Espírito não. Durante a vida o Espírito se acha, de certo modo, comprimido pelos laços da matéria a que está unido e que muitas vezes lhe paralisa as faculdades. A morte do corpo o liberta desses laços. O Espírito se desprende deles e recobra a liberdade, como a borboleta ao sair da crisálida; mas só deixa o corpo material, conservando o perispírito, que constitui para ele uma espécie de corpo etéreo, vaporoso, imponderável para nós e de forma humana, que parece ser a forma padrão. Em seu estado normal o perispírito é invisível mas o Espírito pode fazer certas modificações que o tornam momentaneamente acessível à vista e mesmo ao tato do homem, como sucede com o vapor condensado. É assim que algumas vezes se nos podem mostrar nas aparições.
… Os Espíritos podem manifestar-se de diversas maneiras, entre outras pela visão e pela audição. Certas pessoas, chamadas de médiuns audientes, tem a faculdade de ouvi-los, podendo assim conversar com eles; outros os vêem: são os médiuns videntes.
Os Espíritos que se manifestam à visão geral se apresentam sob a forma análoga à que tinham em vida, porém vaporosa; doutras vezes essa forma assume todas as aparências de um ser vivo, a ponto de causar ilusão tão completa que por vezes são tomados por indivíduos de carne e osso, com os quais se pode conversar e trocar apertos de mão, sem que se suspeite tratar-se de Espíritos, até que eles subitamente desapareçam…
“
Estaremos em futuras publicações dividindo com vocês alguns trechos selecionados, como este acima, das obras de Kardec. Estamos iniciando com passagens desse livreto, desconhecido de muitos, mas bastante elucidativo e compacto em seu conteúdo.
Trecho de:
Allan Kardec, O Espiritismo na sua Expressão mais Simples, 2a ed. 1862, Tradução de Evandro Noleto Bezerra, FEB.
Da Nota do Tradutor:
“Com o intuito de popularizar o Espiritismo e tornar mais fácil e ágil sua divulgação, Allan Kardec, sem prejuízo das obras básicas da Doutrina Espírita, redigiu uma série de opúsculos e os distribuiu por toda a França, em valores extremamente acessíveis à população interessada. …
O Espiritismo na sua Expressão mais Simples – trata-se de uma exposição sumária do ensino dos Espíritos e suas manifestações…
Kardec fornece mais detalhes: … O objetivo desta publicação é dar, num panorama muito sucinto, um histórico do Espiritismo e uma ideia suficiente da Doutrina dos Espíritos, a fim de que se lhe possa compreender o objetivo moral e filosófico. Pela clareza e simplicidade do estilo procuramos pô-la ao alcance de todas as inteligências. Contamos com o zelo de todos os verdadeiros espíritas para ajudarem a sua propagação…”
